segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

MAIS UM DIA MORREU
Metade da Alma!

Segue minha alma sozinha
Cansada de mais um dia
Estranha esta vida minha
Ora feliz, ou feita de melancolia.
A tarde caiu!
È noite fria, escuridão cerrada.
Chora a saudade,
Que em mim sentiu
Hoje ser lembrança pouco amada.

Escondem-se as estrelas
Também elas sentidas
Choro eu e choram elas
Lágrimas pelas nossas vidas.

Meu coração está em pranto
Saudoso de claridade
Seu desespero é tanto?!
Que já nem cabe nele a saudade.
Triste anda a Natureza
Tão cansada quanto eu!
Andam nuvens desesperadas no céu
Em mim por perto a tristeza.

Porquê? Porquê tanto desespero!?
Nesta noite a horas mortas,
A escuridão me traz o frio
Já à saudade fechei portas.
Deixei seu lugar vazio.

Já não sei o que quero
Nem tão pouco o que não quero.
Agora já só espero
Vencer da vida as revezes
Sorrir-lhe, ainda que em segredo.
Mas sorrir-lhe muitas vezes.

O recomeço é a força de viver.
Enfrentarei o amanhã se vier!

Cansei do escurecer.
Encontro o repouso me deito.
Se ao repousar morrer?!
Será um morrer perfeito.

rosafogo
BASTA SABER-ME VIVA

Meu coração é uma gaiola dourada
Nela se solta o Amor e a Amizade
Branca, como o branco desta folha intocada...
Nela um pássaro vai cheirando saudade.
Hoje lhe abri as portas
E a felicidade andou pertinho
E as lembranças já mortas?!
Fui deixando pelo caminho.
Mas na verdade me doeu
E na garganta um nó ficou
Nas lembranças ,também habitava eu
Se por lá fiquei, agora quem sou?

Apago-me como flor sem sol, tanta vida lá atrás
Já pouca coisa resta, o silêncio sobre mim se deita
Nesta descida entre a saudade e o frio, tanto faz!
Mastigo incertezas, já que a Vida não é perfeita.
Deixo-me a pensar com meus botões
Enquanto cai uma chuva enfadonha
Basta saber-me viva de ilusões
Minha alma malferida, ainda assim, sonha
Insistem a dor em meu coração
E há largueza por onde entra a claridade
Mas quando já não restar emoção?!
Serei como raiz sem apego, sem lugar
Morrerei de saudade...
Levada pelo tempo, deixando-me por ele apanhar.

 Delma Guimaraes Spinetti
.

domingo, 6 de dezembro de 2015

O Ramo Roubado



             
Pela noite entraremos para roubar
Um ramo florido.
Ainda não se foi o inverno,
E a macieira aparece
Convertida, de súbito,
Em cascata de estrelas perfumadas.
Pela noite entraremos
Até chegar ao firmamento trêmulo,
E tuas mãos pequenas como as minhas
Roubarão as estrelas.
E sigilosamente
À nossa casa,
Pela noite e na sombra,
Entrará com teus passos
O silencioso passo do perfume
E com pés entrelaçados
O corpo claro desta primavera.
Pablo Neruda



  Poema Concreto
              

O que tu tens e queres saber (porque te dói), não tem nome.
Só tem (mas vazio) o lugar que abriu em tua vida a sua própria falta.
 
A dor que te dói pelo avesso, perdida nos teus escuros,
É como alguém que come não o pão, mas a fome,
Sofres de não saber o que tens e falta
Num lugar que nem sabes,
Mas que é na tua vida
Quem sabe é em teu amor.
O que tu tens, não tens. 
Thiago de Melo
 
Me perguntaram por onde , tenho andado ?
Sempre respondo, em algum lugar chamado mundo !!
bom dia amigos
Delma Guimaraes...
autora

sábado, 5 de dezembro de 2015

Por meu Olhar



 Olho para o espelho e examino os defeitos e as perfeiçoes , a boca, meu olhar .
E ao mesmo tempo, linda e  e miserável,  faço versos?
Ah, não, sei porque ínsisto ... Em ver o mundo, mais bonito e feliz!
Afinal, para que pensar?
Viver e não saber que se vive.
Procurar o sentido da vida, sem mesmo saber se tem sentido, como dizem , é coisa de poetas e.
  E só pode viver uma unica vez!
Somos  detalha listas  e criamos  novas regras, em favor, de um mundo melhor.
 Colorindo o mundo, damos  cores, para  os seres humanos,  ficar mais divertidos. 
Procuro, viver e viver, de maneira, mais linda , perfeita e bonita !
ilusão a minha, somos só , uma peça em, um jogo chamado vida e morte...
mas dizem que até na morte á beleza.
Então sorrio para vida ,e espero somente, continuar.
Vivendo...
Delma Guimaraes
autora

Amar Intensamente

De que vale no mundo ser-se inteligente, ser-se artista, ser-se alguém, quando a felicidade é tão simples! Ela existe mais nos seres claros, simples, compreensíveis e por isso a tua noiva de dantes, vale talvez bem mais que a tua noiva de agora, apesar dos versos e de tudo o mais. Ela não seria exigente, eu sou-o muitíssimo. Preciso de toda a vida, de toda a alma, de todos os pensamentos do homem que me tiver. Preciso que ele viva mais da minha vida que da vida dele. Preciso que ele me compreenda, que me adivinhe. A não ser assim, sou criatura para esquecer com a maior das friezas, das crueldades. Eu tenho já feito sofrer tanto! Tenho sido tão má! Tenho feito mal sem me importar porque quando não gosto, sou como as estátuas que são de mármore e não sentem.

Florbela Espanca, in "Correspondência (1920)"